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  • Foto do escritorHeloisa Rocha

Corpos Sem Filtro

Exposição propõe um novo olhar dos corpos e das vivências de mulheres com deficiência que escolheram o Instagram para se apresentar.


Imagem de parte da exposição "Corpos Sem Filtro: narrativas visuais de mulheres com deficiência". E, na imagem, há fotos de mulheres com deficiência na parede, cartazes com hashtags penduradas pelo teto e pequenas telas dispostas em balcões cinza com cadeiras laranja. O chão do ambiente é cinza e uma parede é preta e a outra cinza com desenhos sem forma nas cores laranja e preto.
Crédito: HB Audiovisual

Por que não há pessoas com deficiência estampando campanhas publicitárias? Onde estão as mulheres com deficiência? Como é a representação desses corpos? Os questionamentos permearam a mente da publicitária Fatine Oliveira durante os anos em que atuou como diretora de arte. Neste período, ela percebeu que as fotos com as quais trabalhava traziam mulheres com deficiência em um determinado "padrão visual" e, além do mais, aqueles corpos não estavam presentes em propagandas. Esta percepção foi objeto de estudo de seu mestrado defendido em 2021 pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, no qual ela analisou a forma como os corpos femininos com deficiência se apresentam nos perfis públicos do Instagram, rede social focada em vídeos e imagens.


A pesquisa deu origem à exposição Corpo Sem Filtro: narrativas visuais de mulheres com deficiência, que está em cartaz no Memorial Minas Gerais Vale até o dia 3 de setembro de 2023.

Em um ambiente composto por quadros e balcões cinza, Fatine Oliveira mira para uma câmera, que está acoplada em um tripé. Fatine está sentada em uma cadeira de rodas motorizada e veste uma calça pink, tênis branco, um blazer azul de mangas compridas e uma blusa estampada nas cores azul, pink, laranja e preto. Ela é uma mulher parda com atrofia muscular e possui os cabelos escuros, cacheados e na altura dos ombros.
Fatine Oliveira (Crédito: HB Audiovisual)

Mas como uma tese se transformou em uma mostra? Ao tomar conhecimento do projeto "Novos Pesquisadores" do Memorial Minas Gerais Vale, Fatine Oliveira se inscreveu no edital e foi selecionada. A partir daí, inúmeras reuniões com a equipe do museu foram realizadas com o intuito de trazer determinados conceitos que faziam parte da pesquisa para a exposição. E, segundo a mestre em Comunicação Social pela UFMG e professora da PUC-MG, o maior desafio de todo esse processo foi transformar em materialidade determinados conceitos que, para o campo da filosofia, são muito abstratos.


Ao final, Fatine contou, para o blog Moda Em Rodas, que, após ver tudo organizado e montado, sentiu satisfação por ter conseguido participar deste projeto e, também, por ter entregue à sociedade uma exposição que fala sobre deficiência por meio de uma perspectiva muito mais humanizada, forte e ligada aos movimentos sociais e que, acima de tudo, traz as vivências de mulheres com deficiência para um lugar de destaque.

A pessoa que for visitar a exposição vai encontrar uma outra história de pessoas com deficiência que, com certeza, vai ser completamente diferente do que ela está habituada.

A exposição Corpo Sem Filtro: narrativas visuais de mulheres com deficiência é de domínio do Memorial Minas Gerais Vale como parte do projeto "Novos Pesquisadores" e, por esta razão não existe, até o momento, a pretensão de levá-la a outros espaços. Entretanto, Fatine Oliveira afirma estar aberta a novas oportunidades de construção de exposições ou manifestações artísticas.


Serviço

Local: Memorial Minas Gerais Vale Quando: Até 3 de setembro de 2023 Endereço: Praça da Liberdade, 640 - Savassi Horário de funcionamento: Terça, quarta, sexta e sábado, das 10h00 às 17h30; quinta, das 10h00 às 21h30; e domingo, das 10h00 às 15h30. Valor: Entrada gratuita



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