MYM: manequins antropométricos

Conheça a tecnologia que respeita as verdadeiras proporções do corpo!
Quando começou a trabalhar com modelagem, Claudia Koskinas percebeu uma grande distância entre as formas genéricas dos manequins disponíveis no mercado com os corpos das pessoas para as quais planejava desenvolver roupas.

Diante dessa realidade, ela foi buscar uma solução ao tentar reproduzir essas estruturas corpóreas por meio de experimentos artesanais, utilizando fita-crepe, gesso e outros recursos. No entanto, foi ao lado do marido, programador há 40 anos e engenheiro eletrônico, que começou a considerar o uso do escaneamento 3D e da tecnologia digital para transformar um corpo real em uma ferramenta de trabalho para a moda.
Em 2020, após meses de testes e pesquisas, eles desenvolveram os primeiros manequins, porém, de forma bastante experimental quando comparado aos produtos atuais. Foi a partir daquele momento que a MYM nasceu e, desde então, vivenciou dois acontecimentos significativos para a empresa familiar, composta por quatro sócios.
O primeiro ocorreu quando o estilista Jum Nakao ficou impressionado com a possibilidade de trabalhar sobre um manequim com proporções muito mais próximas às de um corpo real. Posteriormente, um relato da filha de Claudia Koskinas no LinkedIn sobre o fato de suas campanhas publicitárias serem frequentemente bloqueadas pelas redes sociais, que as interpretavam como um conteúdo sobre nudez, levou a Renner a procurar a empresa, dando início a uma relação comercial.
Mas como são desenvolvidos os manequins da MYM? Claudia Koskinas explica que tudo começa pelo escaneamento tridimensional do corpo, que gera uma representação digital das proporções, dos volumes e das características anatômicas da pessoa. Em seguida, é realizado o tratamento e a modelagem digital, etapa em que o arquivo capturado pelo scanner é trabalhado para se tornar tecnicamente adequado à produção e, principalmente, funcional para o desenvolvimento de vestuário. Por fim, o modelo digital é convertido um manequim físico, passando por etapas de estrutura, montagem, acabamento, forração e controle das proporções.
Embora já tenha atendido a Riachuelo, a C&A, a Shein e a outros clientes nacionais e internacionais, a MYM enfrenta o desafio de ganhar escala, fundamental para reduzir os custos. Segundo Claudia Koskinas, grande parte do valor de um produto tecnológico não está apenas na matéria-prima, mas também nas horas dedicadas ao desenvolvimento, ao tratamento digital, à engenharia, à prototipagem, à produção, ao acabamento e ao controle. Em outras palavras, ao desenvolver um único manequim personalizado, todo esse custo precisa ser absorvido por uma única peça.

Diante desse cenário, a empresa necessita ampliar o volume de pedidos para poder investir em novos equipamentos, tecnologias e pesquisa, especialmente porque há atualmente uma limitação prática importante no protocolo de escaneamento utilizado. De acordo com Claudia, mesmo com o auxílio de um apoio, a pessoa precisa conseguir permanecer em pé por aproximadamente 5 a 10 minutos para realizar o escaneamento corporal. Quando isso não é possível, a empresa fica impossibilitada de produzir esse tipo de manequim personalizado, evidenciando, dessa maneira, a necessidade de aprimorar o processo para contemplar também pessoas em cadeira de rodas e/ou com mobilidade física severamente reduzida.
Além dessas questões, Claudia Koskinas aponta outros desafios, como a logística. Por se tratar de um produto de grande volume físico, o transporte e o envio representam custos significativos, principalmente para outros estados e para o exterior. Soma-se a isso a dificuldade divulgar uma tecnologia relativamente nova e ampliar a sua existência no mercado.
Apesar de todos esses obstáculos, Claudia Koskinas garante que a MYM não é apenas uma fabricante de manequins, mas sim uma empresa de tecnologia aplicada ao desenvolvimento do vestuário. Por isso, o objetivo da marca é ajudar a aproximar cada vez mais o processo de criação das roupas dos corpos que realmente irão vesti-las. Afinal, os sócios acreditam que a moda começa muito antes da vitrine.
MYM e Pequena Lô
Indicada por seu estilista, a apresentadora e produtora de conteúdo Pequena Lô procurou a MYM para a produção de um manequim personalizado que permitisse o desenvolvimento de suas roupas com mais precisão, respeitando as características do seu próprio corpo.

Como a estrutura corporal da influencer apresenta proporções e características muito diferentes daquelas encontradas nos manequins convencionais, o projeto exigiu da equipe um trabalho intenso de pesquisa, desenvolvimento e adaptação para que o produto reproduzisse fielmente suas formas.
No final, a experiência com a Pequena Lô teve uma grande importância para a MYM, pois, segundo Claudia Koskinas, foi a partir desse trabalho que a equipe pôde perceber o potencial da tecnologia que utilizam para as pessoas com deficiência e os corpos que não encontram representação adequada nos manequins convencionais. Em outras palavras, foi notado que, mais do que facilitar a vida do estilista, o manequim personalizado permite que grande parte dos ajustes e das provas seja realizada sem exigir a presença constante do indivíduo, que, muitas vezes, possui baixa mobilidade e dificuldade de deslocamento.
O projeto, que nasceu de uma necessidade individual, acabou abrindo uma nova frente de desenvolvimento para a empresa, que é a de contribuir para uma moda mais representativa e funcional para diferentes corpos.




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